Um alerta climático muito brando para alguns ( fonte: http://noticias.uol.com.br)
Este mês, o mundo terá um novo relatório feito por um painel de especialistas das Nações Unidas sobre a ciência da mudança climática. Os cientistas logo se encontrarão em Estocolmo para dar os retoques finais no documento e, nos bastidores, duas grandes disputas estão se formando.
Em um caso, boa parte da opinião científica dominante que diz que se a sociedade humana continuar queimando combustíveis fósseis de forma negligente, boa parte do gelo das calotas polares poderia derreter e o oceano poderia subir até 90 centímetros até o ano de 2100. Há também uma opinião científica menos convencional que diz que o problema poderia ser bem pior do que isso, com um aumento máximo superior a 1,5 metro.
Os autores do relatório optaram pelos números mais baixos, preferindo não dar muita credibilidade à essa visão alternativa.
No segundo caso, a ciência convencional diz que se a quantidade de dióxido de carbono na atmosfera dobrar, o que está bem a caminho de acontecer, o aumento da temperatura da terra a longo prazo será de pelo menos 2 graus Celsius, mas mais provavelmente superior a 2,78 graus Celsius. A visão menos convencional diz que o aumento pode estar bem abaixo dos outlier que diz que o aumento poderia vir bem abaixo de 1,7 graus.
Neste caso, os autores do relatório baixaram o limite mínimo de uma série de temperaturas que determinam o quanto a terra pode se aquecer, dando credibilidade à visão científica menos convencional.
Os céticos em relação à mudança climática muitas vezes depreciam esses relatórios periódicos da ONU, alegando que o painel que os escreve costuma estender os limites das provas científicas para fazer o problema parecer o mais terrível quanto possível. Por isso, é interessante ver que nestes dois casos importantes, o painel parece estar voltando atrás e assumindo uma postura científica conservadora.
É certo jogar fora a ciência de ponta no primeiro caso e adotá-la no segundo? É difícil julgar para quem não é um cientista do clima na ativa. Afinal, nós os pagamos por sua expertise, assim como pagamos os médicos para nos aconselhar quando temos um diagnóstico de câncer. E estamos falando sobre duas questões distintas aqui, cada uma com seu próprio corpo especializado de investigação.
O grupo que toma essas decisões é o Painel Intergovernamental sobre a Mudança do Clima, um comitê mundial de centenas de cientistas experientes no complexo campo da climatologia. Ele ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 2007, juntamente com Al Gore, por ajudar a alertar o público sobre os riscos que estamos correndo com a queima desenfreada de combustíveis fósseis.
As decisões do grupo não serão definitivas até que o relatório oficial seja divulgado em 27 de setembro. Só sabemos sobre elas porque um esboço secreto vazou antes da sessão final de edição que acontecerá em Estocolmo. Cientistas de alguns países apresentaram objeções às decisões preliminares sobre o nível do mar e temperatura, e elas podem muito bem mudar no relatório final.
Talvez devam; há cientistas do clima que não estão atuando no comitê este ano e que pensam assim. Seu medo é que o painel intergovernamental possa estar se contendo

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